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  • Apresenta-se neste trabalho um estudo sobre neologismos no vocabulário da repressão no período da ditadura no Brasil (1964-1985). Este estudo enquadra-se, do ponto de vista teórico-metodológico, no modelo da lexicologia social de Georges Matoré e tomam-se como corpus para a presente análise Inquéritos Policiais Militares (IPMs) do Departamento de Ordem Política e Social de Minas Gerais (DOPS-MG) produzidos no referido período. A pesquisa revelou que: (a) o campo nocional mais saliente no corpus tem como palavra-chave comunista, gravitando em seu entorno um amplo conjunto de itens lexicais a ela relacionados (tais como esquerdista, clandestino, panfletagem, revolução, luta, camarada, simpatizante, militante, doutrinário, ideológico, sistema, estrutura), que, na nomenclatura de Matoré são chamados de palavras-testemunho; e (b) manifestam-se nesse campo nocional sobretudo neologismos de forma (como pelego-comunista e comuno-subversivo). Seguindo a orientação da lexicologia social, buscou-se uma explicação de natureza sociológica para esses neologismos e algumas idiossincrasias sugerem interferência linguística do inglês, fato compatível com a realidade da época, em que havia um estreito laço de cooperação entre o governo americano e o aparato policial mineiro, manifesto pela presença em Belo Horizonte de agente americano para treinamento de policiais locais e por treinamento destes em centros especializados nos Estados Unidos. Apesar do caráter experimental deste estudo-piloto sobre o vocabulário da repressão, obtiveram-se indícios relevantes de que uma tal abordagem tem muito a contribuir para a compreensão das relações entre mudanças no léxico e mudanças na sociedade, revelando-se, assim, o estudo do léxico como ferramenta de interesse para reconstituição de realidades sociais passadas.

Última actualización: 02/07/26, 03:00 (UTC)

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